Magos de Minas em Entrevista à Carta Premium

Como os melhores destilados, o tempo e a técnica aprimorada fazem as melhores receitas. E nestes últimos dois meses, a Carta Premium intensificou o seu contato com o mercado de bebidas e agora em setembro apresenta novidades em seu portal (com novos menus já disponiveis) e também passa a ter as edições como bimestrais, a fim de que os leitores saibam ininterruptamente das novidades do mercado com matérias exclusivíssimas e em tempo recorde. Enquanto finalizamos a edição de agosto-setembro segue uma das reportagens presentes nessa nova edição.

Destaque na Expocachaça 2017, a Magos de Minas surgiu, como explica seu diretor, Fabiano Augusto Assunção Silva, por acidente. “Eu sou biólogo, professor universitário e atuava como pesquisador em uma área ligada à Magos de Minas - 1Genética e Bioinformática, quando um tio meu mencionou o interesse em trabalhar com cachaça, principalmente cachaça orgânica, questionando-me se seria possível. Fiz a pesquisa de área para ele, elucidei todo o processo, pesquisa o melhor tipo de cultivo, informações da região, entre outras coisas, mas nada muito aprofundado, orientando que procurasse um engenheiro agrônomo. Há cerca de uns três anos atrás esse tio montou o canavial e aposentou e iria iniciar a produção, porém teve um infarto fulminante e infelizmente veio a falecer. Do meu lado, eu nunca tinha despertado o interesse por produzir cachaça, mas fiquei sensibilizado. Aconteceu que meu primo, que também não tinha interesse, trouxe um verdadeiro ‘MacGyver’ para ajudar na reforma do sítio que meu tio havia deixado, era um daqueles caras que resolvem e fazem tudo, que tinha tido contato com um produtor de cachaça e começou a nos indicar que seria interessante reativar o projeto deixado, que tinha mercado para cachaça boa. Minha família também tem fazenda e esse rapaz acabando convencendo meu pai, que ficou apaixonado pela ideia. E em um momento de férias que tive me comprometi com meu pai a estudar realmente a viabilidade do negócio. Foi aí que encontrei o curso da Cana Brasil, fiz o programa, e também o estágio para operar o alambique. E foi já na primeira aula que levei o primeiro tapa na cara: vi que aquilo era bem científico, era biologia pura, e que meu preconceito com cachaça acabara ali mesmo. Notei que muitos pecavam justamente na área que eu era especialista, biossegurança, biotecnologia e me interessei Magos de Minas - estandeainda mais no negócio. Depois de boas pesquisas, comprovei a viabilidade do negócio,  tinha base científica, tinha mercado e era uma boa oportunidade. Foi aí que decidi conciliar o negócio com minha área acadêmica, pois estava cursando meu doutorado. Nascia assim a Magos de Minas”, detalha.

Atualmente a Magos de Minas produz em um parceiro, selecionado os melhores lotes, todos de acordo com um rigoroso padrão estabelecido. “Selecionamos um fabricante que tem um ótimo conceito no mercado, uma capacidade de fornecimento e a possibilidade de continuidade do negócio. Após separados os lotes, colocamos a cachaça para envelhecer em barris de carvalho e umburana. O meu foco hoje é atingir o público internacional com um blend único e marcante. A pessoa é fisgada pelo carvalho e surpreendida pela umburana. Nosso produto é uma cachaça de entrada para o público internacional, apreciador de destilados”, complementa.

Fabiano também presta consultoria no setor e tem notado a mudança de perfil tanto do consumidor estrangeiro quanto do brasileiro. “O público de fora conheceu a cachaça pela nossa caipirinha. Ele não bebia cachaça bebia caipirinha e as cachaças que iam para fora não eram tão palatáveis para degustação pura, como é o caso de brandy, de um bourbon, de um um destilado especial. Hoje, com apelo gastronômico e produtos de valor agregado, a cachaça Magos de Minas - garrafaenvelhecida brasileira já se posiciona como um interessante destilado de consumo mundial. O mesmo tem ocorrido no mercado interno. O qualitativo tem substituído o quantitativo, como no caso da cerveja artesanal. Hoje a cachaça de coluna tem seu lugar, e foi importante na abertura do mercado externo, mas também a cachaça de alambique já tem também o seu lugar e está sendo importante na consolidação da bebida brasileira. No mercado há consumidores para todo o tipo de cachaça. O importante é o produtor ter um portfólio de cachaças variadas para oferecer. Somos destilarias, somos fabricantes de bebidas, temos de ter portfólio amplo. No caso da Magos de Minas, temos seis versões hoje de cachaça e também bebidas mistas”.

Como muitos produtores a Magos de Minas começou praticamente a venda no porta a porta, ou melhor, consumidor a consumidor, mantendo sempre o aspecto artesanal. Ainda hoje são produzidos apenas 500 litros por mês, estratégia  da empresa para manter uma demanda bem selecionada, mas os produtos já podem ser encontrados em empreendimentos de Belo Horizonte, na Cachaçaria Nacional e Distribuidora Savana (ambas com envios para todo o Brasil).

Fabiano finaliza lembrando que hoje vê um choque entre a nova e a antiga geração na produção de cachaças. “A antiga tem resistência principalmente à inovação, são mais presos ao tradicionalismo, o que é importante para manter a qualidade do produto. Já a nova geração quer muito manter e melhorar ainda mais essa qualidade, vislumbra os produtos de excelência, não deixando de lado melhorias para produção de bebidas superiores, e muitas dessas melhorias provêm de embasamento científico, de pesquisa, de análise. Com as melhorias também se eliminam custos produtivos, ganha-se em qualidade sensorial, quantidade de produção, controles de biossegurança. É importante conciliar. Pode-se fazer um paralelo novamente com a cerveja artesanal, onde agora é o pessoal mais velho na produção que está pegando informações com o pessoal mais novo e quem ganha com isso o mercado. Conhecimento e qualidade técnica acabam com muito misticismo. E falo isso também como consultor, pois em diversas oportunidades os maiores problemas que identifiquei eram técnicos e interferiam na qualidade do produto final. É preciso substituir algumas manias, quebrar alguns tabus. Manga com leite não vai te matar. É preciso pensar em crescimento, em profissionalização. Quem está entrando no mercado já percebe isso”.

E linha de bebidas mistas da empresa já está pensada, provavelmente para 2019. “Estamos explorando os melhores ingredientes, pesquisando como manter a estabilização do sabor, do aroma, se garrafa âmbar em vez da cristal para preservar melhor, etc. Novidades virão!”.

 

 

FONTE: http://revistacartapremium.com.br/blog/mercado/capim-cheiroso-magos-de-minas/

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